SEGUE A SAGA
SEGUE A SAGA
CAPÍTULO IV
Depois de deixar a filha na escola, Andreza foi ao sebo carregando uma pesada caixa com mais de cinquenta livros, todos novos e alguns com o autógrafo do autor. O dono do sebo avaliou o material:
– Cinquenta reais.
– Como assim? Todos livros novos, de escritores premiados…
– Eu sei, mas sabe como é…
– Estão na lista dos mais vendidos. São super populares, não tem booktuber, influenciador que não fale deles… e uns têm até a assinatura do autor!
– Eu sei, mas…
Andreza olhava espantada para o homem que parecia não entender nada de literatura.
– Não têm valor a longo prazo, sabe como é, hoje valem alguma coisa, mas daqui um ano ou dois é bem provável que encalhem na prateleira. Lembra da Joana Capreli?
– Quem?
– Tenho 4 livros dela aqui. E dois do Kaiko Lino.
Andreza estava confusa, afinal do que ele estava falando. Insistiu.
– O senhor vende esses livros hoje mesmo. Garanto! Todo mundo faz propaganda deles. Estão em todos os jornais, programas de televisão, podcasts…
– Me disseram a mesma coisa quando investi na Capreli e no Lino. Olha, moça, sabe como é, nada disso garante a venda desses exemplares aqui no sebo, sabe como é…
Que diabos era esse “sabe como é”. Já estava me dando nos nervos ouvir aquele cacoete. E olha que sou apenas a narradora desta história.
– Moça, sabe como é, esses livros vendem em lançamentos, em feiras de livros…
Andreza olhava espantada e confusa para o homem.
– Mas aqui no sebo a coisa é diferente, pelo menos no meu: não fazemos lançamentos nem participamos de feiras, não por falta de interesse, pois seria muito bom para os negócios, mas por falta de dinheiro mesmo, sabe como é.
Andreza começava a ficar impaciente. Os argumentos do homem já haviam extrapolado os 10 minutos permitidos pelo TikTok.
Ela pegou os cinquenta reais e se foi. Pelo menos não precisava mais carregar aquela caixa pesada.
– Cinquenta reais, era só o que me faltava.
O curso de educação financeira não era viável e Andreza voltava à estaca zero.
O destino, contudo, não abandonou a nossa heroína. Andreza Giuliardi bateu os olhos num poste ao lado do ponto de ônibus. Nele o seguinte anúncio:
Dona Arminda Siqueira de Iemaná, há 100 anos prevendo o futuro e abrindo caminhos. Contato: 784856672


